O convite havia sido feito há algum tempo. “Escreva o que lhe for na alma que terei todo o gosto em publicar no meu blog.”, disse eu ao Tonho Lopes, o homem da Nêga…
De imediato o repto foi aceite e hoje, talvez para nos aquecer deste frio de Abril, chegou ao meu email aquele que será o primeiro de muitos textos do Sr. António Lopes, que serão publicados por aqui. (Um exclusivo que vale fortunas, garanto!)…
“A MINHA TERRA”
(Eu faço parte deste povo,deste mar)
Olá a todos viva! Faço votos para que estas minhas palavras os vão encontrar de boa saúde que por cá tudo bem (era assim mais ou menos que dantes, antigamente se começavam as cartas, sim porque agora as cartas já fazem parte dos objectos quase a entrar no museu, o que tá a dar agora é mails e smssss).
É com todo o gosto que escrevo estas linhas para o blog do Manelito, o blog paleco que mais divulga e dá a conhecer não só o carnaval da Nazaré, mas também a própria Nazaré (a nha terra crida).
É por aqui mesmo que começo: “O Carnaval”
O Entrudo já passou há algum tempo mas vale sempre a pena falar dele “Isse é qu ra bél”: Meses e meses à espera para desaparecer num “repente”, o que vale é que hoje em dia a gente o vai recordando, numa festa, num jantar de amigos, num casamento,etc (já cá faltava o etc). Todas estas cerimónias, pa na variar, acabam sempre em marchas. Todos os anos a mêma azáfama: gravam-se as marchas,fazem-se os carros alegóricos, ensaiam-se os ranchos e cégadas, no sábado magro bicicletas e trotinetas zzzzz. E eis que chegam (tamém era melhor depois de tanto trabalho que na chegassem) os dias mais ansiados do ano:
Sábado de carnaval- Grande dia, grande almoço na praia em frente à galé. Mesa n'arêa, o sol a derreter corpos e a caldeirada estava 5 stars.
Domingo de carnaval- Bandas infernais à força tôda, tradição que pela força e adesão demonstrada jamais se irá perder (tamém era melhor, era bom ca gente deixásse). De há uns anos para cá é sem dúvida o meu grande dia de carnaval.
Mais um ano com os “Sáltas”- momentos de grande diversão e boa disposição que duram até às tantas, onde terminámos em apoteose no Mar-Alto.
Segunda-feira- Dia para recarregar baterias? Mas Porquê? Na têmes têmpe no fim do entrudo ? Desde há muito a velha questão, porque não se fazer qualquer coisa neste dia? Tamém sou de acordo mas na me perguntem o quê que de momento nada me ocorre,mas se pensarmos em conjunto talvez achamos algo para pintar de alegria a segunda-feira de carnaval e evitar tár à espera até à noite para continuar a folia.
De repente fez-se luz, lembrei-me de algo: Porque não um ganda bálhe, durante a tarde na praça Manuel Arriaga, ou na Sousa Olivêra, ou na arêa ... Se o S. Pedro deixar (e este ano ele foi do má baril pá gente ao nos oferecer grandes dias de sol).
Dizia eu um ganda bálhe, com tudo ensáiade ao som da maior banda do carnaval, como eles se intitulam e muito bem: A Banda Relante.
É uma ideia, aceitam-se sugestões.
Terça-feira- Ponto alto do carnaval: pelos nossos olhos desfilam dias e noites de trabalho, canseiras, horas sem dormir, mas que valem a pena, quando se atravessa aquela marginal linda, repleta de gente tornando até difícil para quem vai no desfile contemplar o nosso mar, a pedra de “inguelhim”, a nossa “arêa”, isto porque somos literalmente “engolidos” pelos visitantes que ocorrem cada vez em maior número à Nazaré, porque em alguma parte já ouviram falar, num tal carnaval, mais espontâneo e próprio que é o nosso. Pensam os visitantes: Porque não ir lá conhecer esse fulano, que derrête, estrafega, enlouquece aquela praia, aquele mar, aquela gente...
Quarta-feira de cinzas- Terminou o Carnaval: ao fim de alguns anos a tentar, lá consegui este ano me levantar para ir ver o Enterro do S. Entrudo.
Em boa hora o fiz, pois foi fantástico o momento proporcionado pelos “Independentes”- grande grupo, cada vez melhor naquilo que fazem e a quem nestas linhas eu tiro o meu chapéu.
Bailes: mais um ano vivi o carnaval na minha sala de eleição e que me viu nascer para estes momentos de alegria “O Casino”.
Nasci para o carnaval aqui e é aqui que quero continuar a viver o carnaval.
Já comecei a fazer ao meu filho, aquilo que me fizeram a mim quando tinha a idade dele e onde muitas vezes a minha cama eram as cadeiras do casino, quando era vencido pelo sono e pela canseira. Levei o Bernardo ao Carnaval do Casino, tal como fiz com a irmã na idade dele, para sentirem a tradição do Carnaval da Nazaré!
Casino é e sempre será a catedral do carnaval.
Duas bandas fabulosas: U Jazz D'inguelhim: a experiência e o saber de quem anda nisto há muitos carnavais. Grandes músicos, grandes amigos.
Banda da Coina: Agradável surpresa ( dizem muitos: não para mim que já os conhecia há muito tempo e sabia do valor que eles tinham. Não são uma novidade mas sim uma certeza. Auguro-vos um futuro risonho: Força Sílvio, a tua alma em palco contagia qualquer um.)
Como não podia deixar de ser fui também ao Mar-Alto um bocado.
Como sempre fui recebido como um Lord (“mariam” os lordes serem recebidos como eu fui, na criam má nada), da direcção à banda, “grandes” amigos que tenho também naquela sala.
Não vou citar nomes pois posso-me esquecer de algum e aí estaria a ser muito injusto, pois eles sabem quem são.
Mas na me esqueci da promessa que fiz e vou cumpri-la, na me dêxárem ganhar a marcha alternadêra pois não ?
Assim c'apanhar aquele pilar a gête,a nhas botas da tropa entram em acção e há destroços pilarescos que só param em riba, bem lá no cime da palmêra: A ver vamos, como diz o outro.
Um abraço Mar-Alto, vocês são fantásticos.
E agora que passou mais um Carnaval é tempo de recordar e fazer um balanço do que estêve bem e menos bem, mas isso é trabalho pa cada um.
Há pouco tempo tivemos mais uma ganda festa ,e onde o Carnaval esteve também presente , sim porque nestas festas ele nem sequer é convidado, faz-se de convidado.
O casamento dos meus amigos Sílvio e Marisa.
Ainda bem que o Entrudo foi ao casamento para ver a grande homenagem que os noivos lhe prestaram ao marcarem as mesas com o nome de algumas marchas.
Por agora despeço-me fazendo votos que estas linhas vos encontrem bem de saúde que nós por cá vamos indo.
“Bái” “Bái”- até à próxima."
António Lopes
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E mais palavras para quê? É um verdadeiro homem da Praia!
Um vez mais, um grande abraço e o meu muito obrigado.