As palavras são só duas. Fé e Esperança.
Que 2010 traga tudo isso.
Amigos, Feliz Ano Novo!
As palavras são só duas. Fé e Esperança.
Que 2010 traga tudo isso.
Amigos, Feliz Ano Novo!
Eu devia saber o que me esperava. Quem, na posse de todas as suas faculdades psíquicas, resolve ir ao Minipreço da Nazaré ao final da tarde de hoje (a 2 dias da passagem de ano)?
Por momentos pensei que aquilo era a escola secundária da Trafaria…
Dezenas de jovens e adolescentes acotovelavam-se para pagarem as suas compras, que não variavam muito de cesto para cesto: cervejas, batatas fritas, coca-colas, pratos e copos de plástico, embalagens de chouriço corrente, vinho em pacote, salsichas, esparguete, cereais de chocolate, pão de forma sem côdea, queijo em barra e Bacardi Lemon.
Para o ano, bem que o minipreço podia criar uns “kits reveillon”, com todos estes produtos já acondicionados e prontos a transportar…
À saída, enquanto me abriguei da chuva debaixo de um toldo de uma pastelaria, duas mulheres comentavam o barulho (música) ensurdecedor que saía de uma de muitas casas alugadas: “Olha que ainda hoje é terça-feira, se isto vai ser assim até domingo eu dou em doidinha!…
Eu sorri. Que mais poderia fazer?
Não há Natal sem livros…
…e este ano os amigos tiveram muito bom gosto! Obrigado…
(Não há nada a fazer. Tenho mesmo de comprar uma estante nova…)
Não acredito na Blogoesfera Nazarena porque na verdade ela não existe. Dizer que há uma blogoesfera Nazarena é o mesmo que dizer que existe uma web à parte, desconectada de tudo o resto, o que não é de todo plausível.
Não confundam a Blogoesfera Nazarena com a paixão em escrever sobre a Nazaré. Isso sim é a verdadeira Blogoesfera Nazarena.
De nada adianta espartilhar pessoas, ideais, encaixotando-as e catalogando-as. Não. De nada adianta isso. A essencia é partilhada por todos, mesmo que não queiram assumi-lo.
Louvo quem escreve sobre a Nazaré, onde quer que seja, sobre o que quer que seja. Louvo apenas, afastando-me de etiquetas e extremismos, seguindo aquilo em que eu acredito.
Hoje surge mais um blog sobre a Nazaré. Ou melhor, um blog de alguém que ama a Nazaré e promete espalhar esse amor…
E é apenas isso que interessa.
Laura, sê bem vinda.
A Julia Pinheiro tem neste momento no seu programa uma senhora que afirma ter capacidades para ler o destino nas chávenas de… Capuccino!
Isso mesmo. Capuccino!
“Enquanto a borra do café nos deixa ler apenas uma ou duas linhas, a borra do capuccino dá-nos cerca de 50. Por isso optei pelo capuccino”
“A pessoa bebe o capuccino e depois vira-se a chávena e assim consigo ver o destino das pessoas…”
É, segundo se disse no programa, a “Capuccinancia”.
Estou sem palavras.
Quiero que esta navidad sea diferente, quisiera ser un tren enorme para poder subir a toda mi gente y a cada vagón ponerle un nombre distinto para que cada uno de ellos suba y se quede ahí, siempre, siempre conmigo...
Quisiera que cada vagón fuera diferente para hacer sentir muy feliz a toda mi gente y que ellos a su vez invitaran a sus amigos para subir en mi tren y recorrer juntos el camino...y así poder llegar cada uno a nuestro destino....
Y quizás te preguntarás que nombre lleva cada vagón,ahora te los digo con todo el corazón, empecemos pues por paz, amor, felicidad, prosperidad, fe, éxito, esperanza, amistad, solidaridad, fuerza, dedicación,sensibilidad, caridad, apoyo, carisma, humor, liderazgo, risas, amor, ternura, compasión, carcajadas y emoción,
y también porque no? quizás un poco de dolor, para que así puedas valorar, todos los vagones por los que has de pasar... cada uno de ellos lo disfrutarás y ahí conocerás el valor de la amistad...
¡y se que no querrás, de mi tren jamás bajar!Pero yo no quisiera que solo fuera en navidad,quisiera todo un año para poderte demostrarque el espíritu navideño si puede perdurar solo es cuestión... de que tu quieras, a mi tren abordar...y ser parte del sueño para convertirlo en realidad...
Quisiera esta Navidad poderte regalar todo eso y mucho máspero lo más importante que yo quiero que tengas es el corazón con las puertas bien abiertas, para dejar entrar la luz de una estrella...l y que nunca, nunca te alejes de ella...pues solo con ella encontrarás la Navidad eterna.
[Nos próximos dias estarei no meu Natal. No mais belo de todos. Família, lareira, mesa recheada, Alentejo gelado e amor…] – (também tenho o direito de ser um pouquinho lamechas, ou não?! Divirtam-se! Até breve! Boas Festas…
Ah, e deixem-se de SMS Natalícias, ok!? Isso é tão Out… (se quiserem liguem. Vou gostar de ouvir a vossa voz!")
Haverá algo mais interessante do que o silêncio? Algo mais intenso do que a paz?
nada.
absolutamente nada.
E sorrio, por agora me apetece, quando me recordo de tudo o que foi.
Foi. Não é mais.
Não me peçam nada que eu não possa cumprir. Não me peçam para viver na ânsia de agradar a seja quem for. Não. Não estou interessado. Não vou deixar de fazer o que me apetece fazer, só porque tenho de ser simpático, sorrir e viver em clima de “amiguinhos para sempre”. Não preciso de abraços para ser amigo. Não preciso de adorações, mimos, palavras insonsas, requentadas, atiradas como barro à parede. Não preciso de ser igual a todos os outros, ser social, confundir a liberdade da adolescência com o declínio da embriaguez de afectos do final da juventude, gostar das mesmas coisas, ter paciência para as mesmas conversas, ter sempre um sorriso e uma palavra carinhosa no canhão da pistola. Não. Recuso-me perenemente.
O que a mim me interessa é aquilo que vai cá dentro. É aquilo que eu sinto. É aquilo que eu não tenho necessidade de apregoar aos quatro ventos, porque quem me conhece, quem me conhece de verdade, sabe aquilo que eu sou, sabe aquilo que eu sinto, e sabe que eu não sou uma dessas pessoas de sorriso largo e com paciência para os demais.
Não. E não me digam que a amizade e o amor são como as flores, que precisam de ser regadas e tratadas com afecto, como se lê nos livros do Nicholas Sparks. É que, caso assim tenha de ser, eu devo ser um cacto. Não precisa de ser regado e pica quem se aproximar muito…
| 09 - peace love an... |
Faço minhas as palavras do O´Neill.
“Como pode ser-se idiota e, ao mesmo tempo, feliz, pergunta-me um leitor? Pois explico já. A idiotia e a felicidade são ideias muito vagas, difíceis de cingir em conceitos de circulação universal, digamos. Mas, pensando melhor, acho que certa idiotia é susceptível de conferir ao idiota ser proprietário (ou seu prisioneiro) uma espécie de segurança em si próprio que o levará, em determinados momentos, julgo eu, a uma beatitude muito próxima do que se pode chamar estado de felicidade.Assim sendo, não vejo incompatibilidade entre o ser-se idiota e o ser-se feliz. Bem sei que há várias maneiras de se chegar a idiota. Uma delas foi experimentada comigo. Uma parente minha queria por força reconverter-me ao Catolicismo e, deste modo, passava a vida a dizer-me: «Alexandre, não penses. Se começas a pensar estragas tudo. A crença em Deus, se, em vez de pensares, reaprenderes a rezar, vem por si. É uma graça, sabias? Vá, reza comigo.» E ensinava-me orações que eu, muitas vezes de mãos postas, repetia aplicadamente. Acabei por não me casar com ela.
Não quero dizer, com isto, que não acredite na chamada (creio eu) revelação. Se revelação não existisse, como poderia um poeta do tomo de Paul Claudel entrar um dia em Notre-Dame e sentir-se, naquele preciso momento, convertido irresistivelmente ao Cristo e à irradiação da sua verdade e da sua beleza? E não pode afirmar-se que o grande poeta fosse um idiota.
Agora a minha parente era-o, de certeza, e queria fazer de mim outro idiota. Não por desejar reconverter-me, mas por aconselhar-me, como meio, o de eu não pensar, o de eu principalmente não pensar. Se tivesse casado com ela (que não era filha da minha lavadeira) talvez tivesse sido feliz - não se sabe - idiota e feliz. Assim, fiquei longos anos idiota e infeliz, infeliz por ser idiota e saber que o era e que não podia deixar de o ser. Ora, um idiota que é infeliz por saber que é idiota já pode estar a caminho de deixar de o ser. É uma possibilidade. É a tal luz no fundo do túnel, como se disse tantas vezes a propósito da situação económica deste idiota de país.
Não se espante, por conseguinte, o leitor de que um qualquer idiota possa, ao mesmo tempo, ser feliz. É, até, assaz corrente. Há idiotas que se consideram inteligentíssimos, o que é uma forma muito comum de idiotia, e extraem dessa certeza alguma felicidade, aquela maneira de felicidade que consiste em uma pessoa se julgar muito superior às que a rodeiam.
O leitor gostaria de ser ministro ou secretário de Estado? Pois fique sabendo que há quem goste, embora - será justo dizê-lo - também há quem o seja a contra-gosto, por dever partidário ou patriótico.
Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima como poder, é, quase sempre, um perigo.
Oremos.
Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa.
Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"
Duraram 10 anos. Velhinhos, com as lentes meio tortas, mas lá iam desempenhando a sua função.
Duraram até ontem. Ao limpá-los partiram-se ao meio, mesmo na junção das duas lentes. (o que comprova a energia que eu despendi para a limpeza dos mesmos.)
Porque sem eles não vejo a ponta de um corno, para remediar, lá usei o velho truque do adesivo. A clássica invenção durou poucos minutos. Não tardou muito para que o adesivo se descolasse e fosse cada metade para seu lado.
Não havia muito mais a fazer. Era, efectivamente, a morte anunciada dos meus velhinhos óculos.
Nem a propósito, no preciso momento em que esta tragédia me aconteceu, na televisão começava o programa Ídolos, patrocinado pela… Multiópticas!
E hoje lá fui eu à multiópticas de Loures (que tem mais empregados do que o Continente do Colombo). Testes, perguntas, fichas, e tal e tal.
“Vamos então escolher as armações…” – disse a Sr.ª. D. Manuela, depois de eu já ter sido atendido pela Sr.ª. D. Paula e pela Sr.ª. D. Leonor.
“Sente-se ai.”
E quando dou por mim tinha em cima da mesa mais de 30 armações para todos os gostos (e infelizmente, não para todos os preços… – tudo de marca carota")
1H55 minutos depois consigo finalmente escolher…
(Sim, porque os de que eu gostava a Sr.ª. D. Paula achava que me ficavam pesados mas a Sr.ª. D. Leonor também gostava. Depois a Sr.ª. D. Manuela achava que devia escolher uns mais fashion, os quais eu gostava mais ou menos e a Sr.ª. D. Paula não gostava nada. Também a Sr.ª. D. Leonor opinou. Ela gostava dos 27.º que experimentei, mas a Sr.ª. D. Manuela dizia que me faziam mais gordo. Também experimentei uns de que eu gostava muito. Para minha surpresa, a Sr.ª. D. Paula, a Sr.ª. D. Leonor e a Sr.ª. D. Manuela também gostavam muito. Teriam sido esses, se não custassem (sem lentes) mais de metade do meu vencimento.)
Mas, no final, fiquei muito feliz com a minha escolha…
Uns Prada básicos. (cujo valor não revelarei)
Porém, quando me preparava para sacar do Cartão, aparece a Sr.ª. D. Leonor a perguntar-me se já tinha escolhido o segundo par.
“Não, só quero uns, muito obrigado.”
“Mas olhe que são grátis! Armações e Lentes! Veja ali naquele cartaz!”
Quando olho para trás encontro a Diana Chaves a sorrir para mim!
“Ah… é a promoção da Diana Chaves!”
“Bem, se é grátis, vamos a isso! Traga lá outra vez o mostruário!”
…
Chamam-lhe por aí MFP, mas o seu nome de baptismo é Máquina de Fazer Pão. E, curiosamente (imaginem só), é uma máquina para fazer pão. Incrível, não é?
Pois, para aqueles que não conhecem esta maravilha, acreditem que não sabem o que perdem…
E o que é preciso para fazer um pão?
Basta colocar na máquina água morna e farinha. E pronto.
Só isso?! E depois?!
Não temos que fazer mais nada! A MFP mistura sozinha os ingredientes, faz a massa, leveda-a e coze o pão! Sim, na própria máquina! E no final ela apita para avisar que o pão está pronto!
E se não formos tirar o pão, ele queima-se?!
Não. Ela desliga-se sozinha mas mantêm o pão quente pelo menos durante mais uma hora…
Pois, mas as farinhas não devem ser baratas…
Então não são! Um pacote de farinha é mais barata do que um pão de forma. E cada vez mais as marcas estão a lançar farinhas para estas máquinas… ainda hoje fiz um pão integral com sementes…
Humm… não sei se estou convencido! E se quiseres pão de manhã, ao pequeno almoço, tens de estar duas horas à espera?
Não! A MFP pode ser programada! Antes de ires para a cama deitas a água e a farinha na máquina e programa-la para a hora que quiseres. Por exemplo, se quiseres ter pão quente às 8 horas da manhã, ela começa – sozinha – a trabalhar às 6!
HÃ? A sério!?
Sim! E é silenciosa! Podes dormir descansado…
E cafés, não tira?!?!
Não, mas digo-te já que não há nada melhor para acompanhar um café do que uma bela fatia de pão QUENTINHO com manteiga!
Um balburdio, aposto…
Ora façam lá o favor de ir aqui e de votar em mim, se faz favor… (e votem muitas vezes, ok?)
Para que não passe em branco esta data, e porque me esqueci de levar a máquina fotográfica para o centro cultural, ficam aqui os meus parabéns, em jeito de homenagem, ao Rancho Tá-Mar da Nazaré!
As imagens foram recolhidas no festival do TÁ-MAR, na Páscoa
Ainda alguém me tem de explicar que raio de hino era aquele que cantaram os membros do TÁ-MAR (coreogradado primorosamente com direito a mãozinhas no ar!)…
… Aquilo parecia um espectáculo das Guias de Portugal… ehehhhe
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Para ser sincero, não acho nada criativa a ideia de se pegar em músicas conhecidas e transformá-las em marchas de Carnaval.
De há uns anos para cá, parece que a receita (supostamente) infalível é pegar na melodia de uma música pimba dos anos 80, escrever uma letra semi-privada e convidar o meu amigo Zé do Aníbal para fazer parte da produção! Pois… a coisa teve graça no início, mas basta por agora. Não?
Eu, (e reparem que sou “aparentemente” novo nestas andanças), apelo à originalidade dos autores e dos músicos! Façam marchas como as de antigamente!… Surpreendam-nos!
E agora, contrariando tudo aquilo que aqui escrevi, deixo uma sugestão: Digam lá se esta música, bem adaptada com uma letra à moda da Praia, não dava uma grande marcha? Eheheh!! (ai ai ai …)
No Carnaval todo mundo corre, todo mundo corre… (é melhor ser eu a inventar, antes que comecem para aqui a fazer trocadilhos ordinários!)
Ah, e por falar em Carnaval, será que só eu é que sei o que é que as trotinetas vão vestir no próximo Carnaval?
A minha prima Joaninha Duarte diz que gosta de ler aquilo que eu escrevo. Pois eu gosto de ouvir aquilo que ela conta! ;)
Nós não nos acostumamos com ninguém. Habituamo-nos apenas a fazer parte do grupo dos acompanhados. Acostumamo-nos a ter alguém para quem ligar para contar as novidades, a ter alguém para contar as banalidades envoltas em conversas mansas e a ter com quem combinar qualquer passeio.
Nós sentimos sem falar, falamos sem pensar e pensamos sem admitir. Nós enxotamos o querer do peito, mas ele regressa pelos olhos. Nós pensamos, planeamos, desejamos, mas o que não foi planeado acaba por ser sempre bem mais interessante. Nós fingimos que entendemos esse sentimento que não tem nome nem padrão, mas só o que nós conseguimos entender é que ele não desaparece. Nós combinamos tudo para ser de uma maneira e depois tudo acaba de outra maneira. Sim. Nós não combinámos nada e mesmo assim o mundo continua a girar…
…
Há perguntas que têm resposta. Há perguntas sem resposta. Há perguntas que nem deveriam ser feitas. E há ainda aquelas que são tão descabidas que deixam de ser pergunta para passar a ser piada… Afinal, quem é que inventou o Natal dos Hospitais?
Não condeno o programa nem quem o acompanha, condeno o infeliz que o criou. Esse sim, deveria estar até hoje internado na unidade de politraumatizados do Hospital de S.José e ter de, dia após dia, e ao longo de todos estes anos, saborear a canjinha insonsa e a pescada cozida que costumam servir nos hospitais portugueses. Maldito sejas ó tu, que desgraçaste a nossa vida.
Já perguntei a meio mundo e cheguei mesmo a ligar para a RTP, mas ao que parece ninguém sabe a origem das festividades hospitalares, o que pode vir a ser perigoso. Pois se ninguém sabe como a “coisa“ surgiu, permitem que as pessoas criativas (como eu) possam, elas próprias, criar a sua versão do nascimento da alegoria hospitalar. Cá para mim, o “NH” foi criado pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), em 1945, só para irritar a “PIDE” (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), que viria a substituir a primeira. Os gajos da PVDE, nada satisfeitos com o fim do tacho, resolveram vingar-se dos que os viriam substituir, deixando-lhe de herança um espectáculo medonho, com trabalho até mais não…
É que tenho a certeza quase absoluta que foi mesmo assim. “Ah somos despedidos?! Então havemos de criar um espectáculo de variedades tão mas tão grande que os desgraçados da PIDE o vão ter de gramar sem interrupção! E mais… há-de ser um num hospital, no meio das pestes e das tuberculoses, para ver se morre algum!”.
Mas esse tempo já lá vai e por mais que eu leve as mãos à cabeça e a abane de forma sistemática e energética, não consigo entender o que leva a RTP a continuar com este báratro salazarista (não confundir com barato, se faz favor. “Báratro” é inferno! – Podem adicionar o termo ao vosso dicionário e utilizem-no sempre que vos aprazer.).
Ninguém merece um espectáculo assim, principalmente os infelizes que por algum motivo se encontram internados numa unidade hospitalar. A única vantagem que eu encontro no certame anual é a sua capacidade anestésica. Estou convicto de que qualquer doente que enfrente uma maratona de Natal dos Hospitais está prontinho para entrar no bloco operatório para lhe ser extraída a vesícula sem outra qualquer anestesia.
“As pessoas sentem-se acarinhadas pelos artistas”, diz-me uma velhota na padaria quando eu toco neste assunto. “O menino está a ser mauzinho! Então não é um espectáculo bonito? Os doentes que lá estão internados gostam muito! Há sempre tanto público!”… continua…
Pois há! Há público porque os médicos não deram alta aos desgraçados! Experimentem dar-lhes alta par ver se alguém lá fica para ver o Emanuel, a Romana ou a Ana Malhoa (se bem que estou convencido que os senhores com problemas cardíacos – mesmo os acamados - , os bombeiros de bigode e os maqueiros do hospital, não arredariam pé da sala se soubessem que a menina Malhoa se iria apresentar com as roupinhas do costume).
Os médicos são os piores de todos! Aposto que nos dias que antecedem o certame recusam-se a dar alta a alguém e ainda são capazes de prescrever uma garrafa de soro fisiológico mesmo no dia D, à hora do Toy cantar. E então lá estão elas, as senhoras incapacitadas, deitadas numa maca no meio da sala do espectáculo, com um agulha espetada no braço, enquanto o Toy canta estar perdidamente apaixonado… ou outro artista pimba qualquer, de banco naquele dia!
Sempre que me lembro do Natal dos Hospitais, ocorre-me logo três elementos no meu pensamento: Artur Agostinho, Coro de Sto Amaro de Oeiras e Marco Paulo.
Lembro-me do primeiro há muitos anos atrás o oferecer televisões da Philips durante todo o programa e ainda não estou totalmente convencido de que não foi ele o autor desta gracinha.
Depois disso vêm as criancinhas (muitas delas netas de outras que por lá passaram também a cantar a mesma música) cantar “A Todos um Bom Natal” e finalmente, sempre no final, como se tratasse de uma cereja em cima de um bolo de arroz (seco e sem graça), surge o Marco Paulo. Duas músicas. Maravilhoso Coração e Nossa Senhora me dê a mão e está feito. Para o ano há mais, se Deus e a Ordem dos médicos quiser!
Mais um texto brevemente publicado no Jornal Mais Região
Ah, e antes que me esqueça, o melhor anúncio de tv deste Natal é este.
“uma simplicidade fantástica que chega a comover!”
Cá para mim, Natal tem de ter presépio longe do mar, com casinhas caiadas de branco, um frio de cortar a pele e cheiro de musgo e de castanhas assadas trazido pelo vento.
E acho que isso me basta, por agora, para ser feliz...
Então, até já! Vou ali a Évora matar saudades e já volto.