Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

de ELA para o meu EU

 

Fizeram um post só para mim e eu, orgulhoso e comovido, não posso deixar de o publicar aqui.

Obrigado amiga Fátima. Mil obrigados. Muito muito obrigado.

 

Nasci paredes-meias com o sol
E fiz-me luz de sorriso e pés descalços.
Já nem sei se me fizeram nascido
Ou se renasci entre abraços.


Trago na alma o cheiro da terra
E crio caminhos para o mar
Como um rio que desventra a montanha
Embalado pela maresia que me faz sonhar.

E ganho asas…
Sou terra, rio, mar e céu.
Sou o que me apetecer ser
Num instante, muitos instantes, tudo tão só meu!


Sou a urgência que o tempo não reconhece.
Sou a viagem para onde não há bilhete.
Sou a voz que não sabendo cantar
Canta e sem querer faz um brilharete.

Sou o mudo que fala em cada gesto
Sou o mendigo que não o sendo ninguém vê
Sou o artista que brinda ao insucesso
Sou o poeta que ninguém lê


E sou!
Sou nascido a paredes-meias com o sol crescente.
E fiz-me!
Fiz-me de cheiros da terra em mente.


Porque a mente tem cheiros.
Tem abraços, tem sorrisos e lembranças
Rostos, gestos e desejos de reencontro
Crenças, fés, tempestades e bonanças.


Sento-me numa rocha com os pés na água salgada…
Olho para trás e vejo a terra que trago no regaço.
A terra onde nasci paredes-meias com o sol.
Mas não nasce o sol em cada lugar onde nasce um abraço?


Quedo-me sereno…
Sereno-me a mim que tanto quero viver
Abraçando-me...
Até de novo acordar e renascer…

Fátima M.

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