Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Paulo Bento, o Salvador

paulo_bento “Jogámos, jogámos com tranquilidade. Perdemos. Se, se é justo não sei, mas que perdemos, perdemos. Apesar, apesar de tudo perdemos com tranquilidade. É, é o resultado. Quero, quero agradecer aos meus jogadores, pelo menos aos dez que restaram em campo, pelo esforço, por acreditarem, por acreditarem, que era possível, o que não se veio a concretizar…” - 8 de Outubro de 2010

É ele! Paulo Bento está de volta e agora a nível nacional! Quando achávamos que Madail, o barão do futebolito português não nos conseguiria mais surpreender, eis que tira da manga este cromo de risco ao meio: Vá lá… uma grande salva de palmas para Paulo Bento!

A vida é mesmo assim. Sem darmos conta dá uma volta de 360 graus. Sim! De 360! Não é erro, não! A vida e o destino da selecção nacional deu tanta volta que voltou a parar exactamente no mesmo ponto onde estava: na mais imunda das lamas. Vá, num relvado em péssimo estado, usando uma analogia futebolística.

Apesar de achar que depois do tio Queiroz nada poderá ser pior, há coisas que me preocupam em toda esta situação delicada. Preocupo-me neste momento convosco… Lampiões do meu país… lembram-se daquele treinador que foi gozado a torto e a direito por vós, sendo alvo de chacota e dos mais diversos comentários pouco abonatórios? Pois é, ao que parece ele agora também é o vosso treinador. Vou repetir em maiúsculas: VOSSO. E então? Satisfação ou azia? Isto é quase a mesma coisa que acontece aos miúdos na adolescência. Passam a vida a gozar com a miúda de anca larga, que usa aparelho e ostenta borbulhas na cara e quando dão por eles estão com um padre à frente e com a tal miúda ao lado, vestida de noiva. Se bem que eu acho que até mesmo uma miúda de anca larga ficará mais interessante vestida de noiva do que o Paulo Bento. Mas isto são gostos, e gostos não se discutem.

Eu gostava de ter presenciado o processo de selecção no novo treinador. Não estive lá, mas imagino: Segunda-feira 20 de Setembro de 2010, Ikea – Alfragide. 9h30m. – Gilberto Madail, agarrado ao tabuleiro no restaurante da conhecida loja de móveis, espera impacientemente os colegas de reunião. Lá ao longe, entre as cadeiras JKRÖR e as mesas BJURSTA, avistam-se Fernando Gomes, Amândio Carvalho e Lamas Pacheco. Amândio vem a reclamar da escolha do restaurante para a reunião de trabalho mas logo fica convencido quando Madail lhe diz naquele espaço o pequeno-almoço completo custa apenas um euro. “Bolinho, pãozinho, suminho, ovos mexidos, salsichas, bacon, compota e tostas de endro… há que poupar, caros colegas! Esta história do Queiroz ainda nos vai custar muito dinheiro!” – Diz Madaíl, enquanto dá uma valente trinca uma salsicha sueca.

Depois da barriga cheia, e enquanto Lamas Pacheco enfrenta novamente a fila para recarregar o tabuleiro, Madail atende o telemóvel. Mourinho, do outro lado, confessa-lhe que o patrão castelhano não o dispensa para fazer uma perninha na FPF. O semblante dos homens torna-se assombroso e um silêncio gélido invade o bistrô sueco. E agora? Pergunta Fernando Gomes.

Madail, calmamente, dá a última trinca na salsicha, limpa o queixo que outrora ostentou uma pêra grisalha, abre a pasta e tira de lá uma fotografia. “O que me dizem deste? Não encontramos mais ninguém habituado ao sacrifício e ao apedrejamento do que este pobre coitado.”. Amândio Carvalho remata: “Pois. Sacrifício. Crucificação. Ora reparem na coincidência… Jesus Cristo também usava risco ao meio…”.

 

*mais um texto que será publicado no JORNAL MAIS REGIÃO

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